imagem de homem segurando gráficos do IPO do Picpay

PicPay abre IPO nos EUA: fintech brasileira busca expansão global depois de forte crescimento

Lembra quando você transferia dinheiro e demorava dias úteis para cair? Parece idade da pedra, não é? O PicPay foi uma das empresas que ajudou a enterrar esse passado. E agora, depois de dominar o Brasil com mais de 70 milhões de usuários, a fintech brasileira está dando um passo gigante: o IPO do PicPay nos Estados Unidos. Isso mesmo, a mesma empresa que você usa para rachar a conta no restaurante ou pagar o açaí na esquina quer captar bilhões de dólares para crescer globalmente.

Mas será que faz sentido? Por que uma empresa brasileira abre capital lá fora e não aqui? E o mais importante: isso é bom para você, usuário ou possível investidor? Vamos entender essa história que está só começando.

A trajetória do PicPay até virar gigante

Antes de falar do IPO, você precisa conhecer a história. O PicPay não nasceu ontem.

A empresa foi fundada em 2012, mas só decolou mesmo depois de 2016, quando virou carteira digital completa. No começo, era apenas um aplicativo para transferências entre pessoas. Útil, mas limitado.

O ponto de virada:

Foi quando o PicPay percebeu que poderia ser muito mais. Adicionou pagamentos em estabelecimentos, cartão de crédito próprio, cashback, investimentos, empréstimos. Virou um super app financeiro.

E o timing foi perfeito. O Brasil estava sedento por alternativas aos bancos tradicionais. Taxas altas, burocracia, atendimento ruim. As fintechs chegaram prometendo o oposto: sem taxas, tudo pelo celular, simples e rápido.

O PicPay surfou essa onda junto com Nubank, Inter, Neon e outras. Mas tinha um diferencial: foco forte em pagamentos e cashback. Enquanto outras fintechs queriam ser “o seu banco”, o PicPay queria ser “a forma como você paga por tudo”.

Os números impressionam:

Hoje são mais de 70 milhões de usuários cadastrados. Para ter ideia, isso é um terço da população brasileira. Claro, nem todos são ativos, mas mesmo considerando apenas usuários ativos, são dezenas de milhões.

O PicPay crescimento receita foi explosivo nos últimos anos. Em 2020, processou cerca de R$ 30 bilhões em transações. Em 2023, ultrapassou R$ 150 bilhões. É crescimento de 400% em três anos.

A receita da empresa também disparou. Saiu de alguns poucos milhões em 2019 para mais de R$ 1 bilhão em 2024. O modelo de negócio funcionou.

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Por que o IPO do PicPay nos Estados Unidos

Aqui está a pergunta que todo mundo faz: por que não abrir capital no Brasil? A B3 está aí, operando, tem investidores brasileiros querendo investir em empresas locais e, ainda que com seus problemas de matriz econômica, o Brasil segue sendo um mercado global.

As razões são estratégicas:

Valuação maior

Empresas de tecnologia e fintechs tendem a ter valuations (avaliação de mercado) muito maiores nos EUA do que no Brasil.

Investidores americanos estão acostumados com empresas que crescem rápido, queimam caixa no começo, mas dominam mercados. Eles pagam múltiplos altíssimos por crescimento e potencial.

No Brasil, o mercado é mais conservador. Quer ver lucro, fluxo de caixa positivo, dividendos. Empresas em crescimento acelerado nem sempre atendem esses critérios.

O PicPay pode levantar mais dinheiro nos EUA com a mesma participação acionária. É simplesmente matemática.

Liquidez

A bolsa americana tem volume de negociação gigantesco. Milhões de investidores, fundos trilionários, mercado profundo.

Isso garante que as ações do PicPay terão liquidez. Investidores conseguem comprar e vender facilmente. Isso atrai mais investidores ainda, criando um ciclo virtuoso.

Na B3, especialmente para empresas menores, a liquidez pode ser problema. Ações que ninguém negocia não atraem investidores institucionais.

Visibilidade internacional

Estar listado na Nasdaq ou NYSE coloca o PicPay no radar de investidores do mundo todo.

Isso não é só sobre levantar dinheiro agora. É sobre futuras rodadas de captação, sobre atrair talentos globais, sobre parcerias estratégicas internacionais.

Uma fintech brasileira listada nos EUA passa credibilidade de outro nível.

Preparação para expansão

O PicPay não quer ficar só no Brasil. A expansão para América Latina já começou, e outros mercados emergentes estão no radar.

Estar listado nos EUA facilita operações internacionais, captação de dívida em dólar, aquisições de empresas em outros países.

É uma jogada de xadrez pensando em 10 anos à frente.

Benchmark com pares

Nos EUA, o PicPay será comparado com Stripe, Square (agora Block), PayPal, Mercado Livre. São empresas com múltiplos altíssimos, avaliadas em dezenas de bilhões.

No Brasil, seria comparado com bancos tradicionais, que têm múltiplos muito menores por serem negócios diferentes.

O PicPay prefere ser avaliado como fintech de crescimento, não como banco tradicional.

imagem de pessoa utilizando o PicPay no mercado financeiro

O modelo de negócio: como PicPay ganha dinheiro

Para entender se vale a pena investir (quando as ações estiverem disponíveis), você precisa entender como a empresa lucra.

Taxas de transação

Quando você paga um estabelecimento comercial pelo PicPay, a empresa cobra uma taxa do lojista. Geralmente entre 1% e 3%, dependendo do volume e tipo de transação.

Parece pouco, mas multiplicado por bilhões de reais em transações, vira muito dinheiro.

É a principal fonte de receita. Quanto mais gente usa para pagar, mais o PicPay ganha.

Serviços financeiros

O PicPay oferece crédito (empréstimos pessoais, cartão de crédito). Nisso, ganha com juros e taxas.

Também oferece investimentos. Ganha taxa de administração ou comissões de distribuição dos produtos financeiros.

Tem seguros, recarga de celular, pagamento de contas. Em cada serviço, uma pequena margem que, no volume, gera receita significativa.

Cashback e publicidade

O famoso cashback do PicPay não é caridade. É investimento em engajamento.

Empresas pagam para estar no programa de cashback, pois isso direciona consumidores para elas. O PicPay funciona como plataforma de publicidade e aquisição de clientes.

É modelo parecido com o que Rappi, iFood e outros fazem: conectar consumidores e estabelecimentos, cobrando para dar visibilidade.

Marketplace e ecossistema

O PicPay se tornou um marketplace. Dentro do app você compra vale-presente, recarrega bilhete de transporte, paga estacionamento, compra ingressos.

A cada transação, uma comissão. São centavos por operação, mas milhões de operações por dia.

Float financeiro

Dinheiro parado na conta PicPay rende para a empresa também. Enquanto está lá esperando você usar, o PicPay investe em ativos de curtíssimo prazo e lucra.

É como os bancos sempre fizeram. A diferença é que o PicPay repassa parte desse rendimento para você (o rendimento automático da conta), mas fica com uma fatia.

Os desafios que a fintech brasileira enfrenta

Nem tudo são flores. O PicPay tem desafios sérios pela frente.

Concorrência brutal

O mercado de pagamentos digitais no Brasil é uma guerra. Nubank, Inter, Mercado Pago, Neon, C6 Bank, sem falar nos gigantes tradicionais que acordaram (Itaú, Bradesco, Santander com seus apps renovados).

Todos querem ser o super app financeiro do brasileiro. Todos oferecem serviços similares. A diferenciação é difícil.

Como o PicPay se mantém relevante quando tem 10 concorrentes brigando pelo mesmo cliente?

Custo de aquisição de clientes

Conseguir novos usuários está cada vez mais caro. As pessoas já têm 3, 4, 5 apps financeiros no celular. Convencer a baixar mais um exige investimento pesado em marketing.

E não basta baixar. Tem que usar. Tem que virar o app principal. Isso custa mais ainda.

O PicPay queima muito dinheiro em cashback e promoções para manter usuários engajados. Até quando isso é sustentável?

Regulação cada vez mais pesada

O Banco Central está regulando fintechs com mão mais firme. Exigências de capital, regras de segurança, obrigações de compliance.

Isso é bom para o consumidor (mais proteção), mas aumenta custos operacionais das empresas.

O PicPay precisa se adaptar constantemente, investir em sistemas, contratar especialistas. Tudo isso come margem.

Dependência do mercado brasileiro

Mais de 95% da receita vem do Brasil. Se a economia brasileira vai mal, o PicPay sofre junto.

Recessão significa menos transações, mais inadimplência no crédito, menos investimento de empresas em publicidade.

A expansão internacional é crucial justamente para diversificar risco geográfico.

Lucratividade ainda distante

O PicPay ainda não é consistentemente lucrativo. Tem trimestres positivos, mas no geral ainda investe mais do que lucra.

Para uma empresa de crescimento isso é normal. Amazon levou quase 20 anos para dar lucro consistente. Mas investidores eventualmente querem ver retorno.

Quanto tempo mais o PicPay consegue crescer queimando caixa antes de precisar provar lucratividade?

Risco tecnológico e segurança

Qualquer falha de segurança, vazamento de dados, ou instabilidade no app pode destruir reputação instantaneamente.

O PicPay já teve alguns problemas pequenos. Nada catastrófico, mas suficiente para assustar. Em fintech, confiança é tudo.

imagem de homem trabalhando no mercado financeiro após o IPO do PicPay

O que o IPO significa para usuários

Você usa o PicPay todo dia. Como o IPO te afeta?

Pode significar mais investimento em produto

Com bilhões de dólares captados, o PicPay pode investir mais em tecnologia, melhorar o app, adicionar funcionalidades, expandir serviços.

Usuários tendem a se beneficiar quando a empresa tem recursos para inovar.

Ou pode significar foco em lucro

Por outro lado, empresas abertas em bolsa sofrem pressão de investidores para mostrar resultados.

Isso pode levar a cortes de benefícios. Menos cashback, mais taxas, menos promoções. Foco muda de crescimento a qualquer custo para lucratividade.

Vários apps já fizeram isso após abrir capital. Começam generosos, depois apertam o cerco.

Mais estabilidade (teoricamente)

Empresa de capital aberto tem governança mais forte, transparência maior, auditoria constante.

Isso em tese reduz risco de a empresa quebrar ou fazer algo esquisito com seu dinheiro.

Mas não é garantia. Empresas abertas também podem ir mal.

Possibilidade de investir

Se você acredita no PicPay, vai poder comprar ações (quando disponíveis para brasileiros também, através de BDRs provavelmente).

Você vira sócio da empresa que usa. Se o PicPay crescer muito, você lucra junto.

Claro, também pode perder dinheiro se as ações caírem. Não é garantia de nada.

Comparação com outras fintechs que abriram capital

O PicPay não é pioneiro. Várias fintechs brasileiras já abriram capital. Vamos ver o que aconteceu.

Nubank – o caso de sucesso

Abriu capital nos EUA em 2021. IPO foi sucesso gigantesco. A empresa foi avaliada em mais de US$ 40 bilhões.

Desde então, as ações oscilaram bastante, mas no geral a empresa se consolidou. Está lucrativa, continua crescendo, expandiu para México e Colômbia.

Investidores que compraram no IPO tiveram retorno positivo, apesar da volatilidade.

O Nubank provou que uma fintech brasileira pode ter sucesso global. Abriu caminho para outras.

PagSeguro – a montanha-russa

Abriu capital em 2018 nos EUA. Nos primeiros anos foi bem, ações subiram muito.

Mas depois sofreu com concorrência intensa. As ações caíram forte. Quem comprou no pico perdeu mais de 70%.

Recentemente começou a se recuperar, mas foi uma jornada dolorosa para investidores.

Stone – queda brutal

Era a queridinha, foi super bem no IPO em 2018. Ações dispararam chegando a US$ 95.

Depois despencou. Chegou a US$ 5 em 2022. Queda de 95%. Catastrófica.

Problemas operacionais, perda de market share, execução ruim. Foi um desastre.

Está tentando se recuperar, mas o estrago foi feito.

Inter – expectativa vs realidade

Abriu capital no Brasil em 2018. Cresceu muito, promessas grandes, virou queridinha da bolsa.

As ações subiram forte, mas depois caíram também. Altos e baixos constantes.

A empresa é sólida, está crescendo, mas não entregou o que investidores esperavam em termos de retorno.

A lição:

IPO de fintech não é garantia de sucesso para investidor. Pode dar muito certo (Nubank) ou muito errado (Stone).

Depende de execução, de mercado, de timing, de concorrência. É investimento de risco.

Principais pontos para você levar daqui

• PicPay abre IPO nos Estados Unidos buscando valuation maior e acesso a investidores globais após crescer receita de milhões para mais de R$ 1 bilhão

• A fintech brasileira tem 70 milhões de usuários e processou mais de R$ 150 bilhões em transações em 2023, crescimento de 400% em três anos

• PicPay crescimento receita vem de taxas de transação serviços financeiros como crédito, marketplace e publicidade através do programa de cashback

• IPO nos EUA oferece liquidez maior e coloca a empresa no radar internacional facilitando expansão futura para América Latina e outros mercados

• Concorrência brutal com Nubank e Mercado Pago é o principal desafio junto com custo alto de aquisição de clientes e pressão regulatória crescente

• Empresa ainda não é lucrativa consistentemente queimando caixa em cashback e marketing para manter usuários engajados e crescimento acelerado

• Comparação com IPOs anteriores mostra risco: Nubank deu certo mas Stone caiu 95% mostrando que fintech em bolsa não garante retorno

• Para usuários pode significar mais investimento em produto e funcionalidades ou foco maior em lucratividade reduzindo benefícios como cashback

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