imagem de banco representando inflação e selic no ano de 2026

Inflação e Selic em 2025–26: projeções do mercado financeiro e impactos no seu bolso

Você abriu a conta do supermercado e levou um susto. A mesma compra de sempre custou R$ 50 a mais que no mês passado. Então foi abastecer o carro e quase infartou com o preço da gasolina. Chegou em casa, olhou a fatura do cartão e pensou: como vou pagar isso com esses juros absurdos? Bem-vindo à realidade brasileira de 2025.

A inflação voltou a incomodar e a taxa Selic disparou para níveis que não víamos há anos. E a pergunta que não quer calar: vai piorar ou melhorar? O mercado financeiro tem suas apostas. Economistas fazem suas projeções. Mas o que isso significa para você, que não é economista, só quer saber se vai conseguir fechar o mês no azul? Vamos descomplicar esse cenário e te preparar para o que vem pela frente.

O que está acontecendo com inflação e Selic agora

Antes de falar de futuro, vamos entender o presente. Em janeiro de 2025, a realidade econômica brasileira mudou bastante.

A taxa Selic está acima de 13% ao ano. Há poucos anos estava em 2%. É um salto brutal. Por que o Banco Central fez isso? Simples: para frear a inflação.

A inflação acumulada em 12 meses ultrapassou 5%. A meta é 3%, com tolerância até 4,5%. Estamos acima do teto. O Banco Central precisou agir.

O que causou essa alta da inflação?

Vários fatores se juntaram. O dólar subiu bastante, pressionando produtos importados e combustíveis. Commodities como alimentos ficaram mais caras no mercado internacional. O governo aumentou gastos, injetando dinheiro na economia. A demanda aquecida encontrou oferta limitada. Resultado? Preços subindo.

E tem o componente de expectativas. Quando empresas e consumidores acreditam que a inflação vai subir, eles antecipam aumentos de preços e reajustes. Isso cria uma profecia autorrealizável.

O Banco Central viu esse cenário e pisou no freio: subiu a Selic para resfriar a economia. Juros altos tornam crédito mais caro, desestimulam consumo, reduzem investimentos. A economia desacelera e a inflação tende a cair.

É um remédio amargo, mas necessário. A alternativa seria deixar a inflação sair de controle, e aí o problema ficaria muito pior.

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As projeções do mercado financeiro para 2025

O mercado financeiro vive de projeções. Economistas de bancos, consultorias e instituições fazem suas apostas sobre o futuro. Vamos ver o que eles esperam.

Projeção Selic 2026: o que esperar

O consenso do mercado (média das projeções) indica que a Selic deve se manter alta durante todo 2025. Pode chegar a 14% ou até 14,5% no meio do ano, depois começar a cair gradualmente.

Para o final de 2025, a expectativa é de Selic entre 12% e 12,5%. Ainda alta, mas já em trajetória de queda.

E para 2026? A projeção Selic 2026 aponta para convergência entre 10,5% e 11,5% ao ano até o final do ano. Ou seja, vai continuar relativamente alta por mais tempo.

Por quê essa demora para cair? Porque a inflação não se controla do dia para a noite. Leva tempo. O Banco Central prefere ser cauteloso, manter os juros altos por mais tempo, para garantir que a inflação realmente volte para a meta.

Cortar juros cedo demais pode fazer a inflação ressurgir, obrigando o BC a subir de novo. Isso seria péssimo para a credibilidade e para a economia.

Inflação: o caminho de volta à meta

As projeções para inflação mostram queda gradual. Para 2025, o mercado espera inflação entre 4,2% e 4,8%. Ainda acima da meta, mas melhor que 2024.

Para 2026, a expectativa é de inflação convergindo para perto da meta: entre 3,5% e 4%. Ou seja, dois anos de trabalho para trazer a inflação de volta ao controle.

Mas tem risco. Se o dólar continuar pressionado, se houver choques de oferta (clima afetando colheitas, por exemplo), se o governo não controlar gastos, a inflação pode ficar teimosa acima da meta.

Por outro lado, se a economia desacelerar demais, a inflação pode cair mais rápido. Mas isso traria outro problema: recessão, desemprego, empresas quebrando.

O cenário ideal é o “pouso suave”: inflação caindo gradualmente sem destruir a economia. É difícil de acertar, mas é o que todos esperam.

imagem de banco no mercado financeiro
A low angle shot of buildings in Spain under a clear blue sky

Setores que ganham e perdem com esse cenário

A economia não é uniforme. Alguns setores se beneficiam de juros altos, outros sofrem.

Quem ganha: setor financeiro

Bancos adoram Selic alta. Eles ganham muito com spread (diferença entre o que pagam em depósitos e o que cobram em empréstimos).

Ações de bancos tendem a se beneficiar. Itaú, Bradesco, Banco do Brasil podem ter desempenho melhor que o mercado.

Gestoras de recursos também ganham. Com mais gente investindo em renda fixa e fundos, elas faturam mais em taxas de administração.

Quem ganha: exportadores

Se o dólar está alto (que normalmente acompanha juros altos), empresas exportadoras se beneficiam.

Vendem em dólar, custam em real. Quando o dólar sobe, suas margens explodem.

Embraer, WEG, empresas de celulose, frigoríficos. Todos ganham com dólar elevado.

Quem perde: varejo e consumo

Com juros altos e inflação corroendo renda, o consumidor compra menos. Especialmente bens duráveis e itens não essenciais.

Magazine Luiza, Via, Lojas Americanas (se ainda existir), todas sofrem. As vendas caem, o lucro derrete.

Restaurantes, turismo, lazer. Tudo que é “extra” no orçamento das famílias é cortado primeiro.

Quem perde: construção civil e imobiliário

Financiamento imobiliário fica proibitivo com juros altos. Quem vai financiar casa pagando 12%, 13% ao ano mais correção?

As vendas de imóveis caem. Construtoras ficam com estoque parado. Algumas quebram.

Fundos imobiliários também sofrem. Com juros altos, investidores preferem renda fixa. As cotas dos FIIs caem.

Quem perde: indústria e investimentos

Empresas adiarem investimentos em expansão. Não faz sentido pegar empréstimo a 15%, 18% ao ano para investir em nova fábrica que vai render 10% ao ano.

Resultado: a indústria estagna. Sem investimento hoje, a economia não cresce amanhã. É um ciclo vicioso.

Estratégias para proteger seu dinheiro

O que você faz para não apenas sobreviver, mas prosperar nesse cenário?

Priorize quitação de dívidas caras

Se você tem dívida no cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal com juros altos, sua prioridade número um é quitar.

Pagar dívida com juros de 15% ao mês é investimento com retorno garantido de 15% ao mês. Nenhum investimento te dá isso.

Negocie com credores, pegue empréstimo mais barato para quitar dívida mais cara, faça o que for preciso. Mas se livre dessas sanguessugas.

Aumente sua reserva de emergência

Com juros altos, sua reserva rende muito bem. E você vai precisar dela se a economia piorar e você perder renda.

Mantenha pelo menos 6 meses de despesas em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Está rendendo 13% ao ano. É excelente.

Aproveite a renda fixa

Esse é momento histórico para renda fixa. Taxas assim não vão durar para sempre.

Trave taxas em Tesouro IPCA+ de longo prazo. Você garante inflação + 6% por 10, 15, 20 anos. Quando os juros caírem, você vai agradecer por ter travado essas taxas.

CDBs de prazo também. Se conseguir 14% ao ano garantidos por 2, 3 anos, pode valer a pena.

Reduza exposição em ações (temporariamente)

Se você normalmente mantém 60% em ações e 40% em renda fixa, considere inverter temporariamente.

Coloque 60% em renda fixa aproveitando as taxas. Mantenha 40% em ações apenas para não perder completamente se houver recuperação.

Quando os juros começarem a cair de verdade (não antes), você rebalanceia aumentando ações novamente.

Proteja-se com dólar

Parte do patrimônio em dólar funciona como hedge contra crises no Brasil.

Pode ser através de fundos cambiais, ETFs dolarizados, conta em dólar, ou até stablecoins se você entende de cripto.

Não precisa ser muito. 10% a 20% já ajuda a diversificar risco.

Corte gastos supérfluos

Revise assinaturas de streaming que você não usa. Aquele pacote de TV a cabo com 500 canais que você assiste 3. O plano de celular com dados que você não gasta.

Cada R$ 50, R$ 100 economizados por mês fazem diferença ao longo do ano. E podem ser investidos rendendo 13%.

Aumente renda se possível

Esse é mais difícil, mas pense: tem como fazer freela? Vender algo que você não usa? Monetizar alguma habilidade?

Toda renda extra nesse momento vale ouro. Pode ser diferença entre passar aperto ou não.

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Riscos e incertezas nas projeções

Projeções são apenas isso: projeções. Não são certezas. Vários fatores podem mudar o cenário.

Risco fiscal

Se o governo não controlar gastos, a dívida pública continua crescendo. Isso pressiona juros para cima, pois investidores exigem prêmio de risco maior.

O Banco Central pode ser obrigado a manter Selic alta por muito mais tempo que o previsto.

Choques externos

Guerra no Oriente Médio que dispara petróleo. China entrando em recessão e derrubando commodities. Estados Unidos com problemas econômicos afetando mundo todo.

Qualquer choque externo pode mudar completamente o cenário para o Brasil.

Clima e produção agrícola

Seca forte que destrói safras pode fazer comida disparar de preço. Inflação sobe, Banco Central precisa subir mais os juros.

Ou o contrário: safra recorde derruba preços de alimentos e ajuda inflação a cair mais rápido.

Mudança na política econômica

Troca de ministro da Fazenda, mudança de direção do Banco Central, novas políticas governamentais.

Tudo isso pode alterar expectativas e mudar trajetória de inflação e juros.

Surpresas positivas

Pode ser que a inflação ceda mais rápido que o esperado. Economia global melhore. Dólar caia.

Aí o Banco Central pode cortar juros antes do previsto, e 2026 ser melhor que o esperado.

Ninguém sabe. Por isso diversificação e prudência são tão importantes.

Principais pontos para você levar daqui

• Inflação e Selic estavam altas em 2025 com taxa básica acima de 13% e inflação rompendo teto da meta em 5%, exigindo aperto monetário prolongado

• Mercado financeiro projeta Selic entre 12% e 12,5% para fim de 2025 com queda gradual e projeção Selic 2026 entre 10,5% e 11,5% ao ano

• Inflação deve convergir para meta lentamente ficando entre 4,2% e 4,8% em 2025 e entre 3,5% e 4% em 2026 se não houver novos choques

• Crédito ficou caríssimo para consumidor mas investimentos em renda fixa estão rendendo acima de 13% ao ano criando oportunidade histórica

• Priorize quitação de dívidas caras pois pagar juros de 15% ao mês equivale a investimento com retorno garantido impossível de encontrar

• Reduza temporariamente exposição em ações aumentando renda fixa para 60% da carteira aproveitando taxas que não vão durar para sempre

• Setores financeiro e exportador se beneficiam enquanto varejo, construção civil e indústria sofrem com juros altos e economia desacelerada

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