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Você sente aquela tensão no ar? A cada quatro anos, o Brasil vira um caldeirão político. Debates acalorados, promessas mirabolantes, pesquisas que sobem e descem como montanha-russa. E enquanto todo mundo discute quem vai ganhar, tem algo acontecendo que afeta diretamente o seu bolso: o mercado financeiro entra em modo pânico.
A bolsa de valores começa a dançar conforme as pesquisas eleitorais. O dólar dispara ou despenca dependendo de quem está na frente. Os juros futuros oscilam como se não houvesse amanhã. E você, no meio disso tudo, olha para seus investimentos e se pergunta: o que eu faço? Vendo tudo? Compro mais? Fico parado? A resposta não é simples, mas vou te ajudar a entender esse jogo e a tomar decisões inteligentes mesmo quando tudo parece caos. Vamos conversar?
Antes de falar de estratégias, você precisa entender a causa. Por que eleger alguém para governar o país causa tanto impacto nos seus investimentos?
A resposta está na incerteza. O mercado financeiro odeia incerteza. Investidores gostam de previsibilidade, de saber o que vem pela frente. E eleições são exatamente o oposto: imprevisíveis.
O que está em jogo:
Políticas econômicas podem mudar completamente. Um candidato promete reduzir impostos, outro quer aumentar gastos sociais. Um defende privatizações, outro quer estatizar setores. Um é favorável ao agronegócio, outro prioriza meio ambiente com regulações mais duras.
Cada cenário impacta setores diferentes. Empresas que seriam beneficiadas por um candidato podem ser prejudicadas por outro. Como o mercado não sabe quem vai ganhar, entra em modo especulação.
A volatilidade dispara:
Nos meses que antecedem a eleição, principalmente nos últimos 60 dias, a volatilidade dos ativos brasileiros aumenta drasticamente. A bolsa pode subir 5% num dia porque uma pesquisa saiu favorável a determinado candidato, e cair 4% no dia seguinte porque outra pesquisa mostrou virada.
O dólar segue a mesma lógica. Candidato visto como “responsável fiscalmente” pelo mercado lidera? Dólar cai. Candidato visto como “gastador” assume a frente? Dólar dispara.
Investidores estrangeiros ficam nervosos:
O Brasil recebe bilhões de dólares de investidores internacionais. Eles colocam dinheiro na nossa bolsa, compram títulos públicos, investem em empresas brasileiras.
Mas são os primeiros a fugir quando a coisa fica incerta. Na dúvida, tiram o dinheiro e levam para países mais estáveis. Isso pressiona ainda mais o mercado para baixo.
O governo atual também muda comportamento:
Governos em fim de mandato, especialmente em ano eleitoral, tendem a fazer malabarismos fiscais. Aumentam gastos para agradar eleitores, criam programas sociais, dão benefícios. Isso pode gerar desequilíbrio nas contas públicas e preocupar o mercado.
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Vamos olhar os dados. O que aconteceu nas últimas eleições presidenciais no Brasil?
A bolsa brasileira ficou praticamente estagnada durante todo o ano. Começou em 105.000 pontos, terminou em 109.000. Quase nenhum ganho real.
O dólar oscilou brutalmente. Chegou a R$ 5,70 em momentos de tensão, caiu para R$ 4,80 em momentos de alívio. Fechou o ano em torno de R$ 5,20.
Quem estava 100% em ações brasileiras teve ano ruim. Quem diversificou em renda fixa e dólar se saiu melhor.
A bolsa começou o ano em 76.000 pontos e terminou em 87.000. Alta de 14%, mas com volatilidade enorme no meio do caminho.
Nos meses anteriores à eleição, chegou a cair 20% do pico. Recuperou tudo após o resultado, mas quem vendeu no desespero perdeu a recuperação.
O dólar seguiu padrão similar: subiu muito na incerteza, caiu rápido após a definição.
Foi particularmente turbulenta. A bolsa caiu 3% no ano, com oscilações brutais. Investidores que entraram em pânico e venderam na baixa se arrependeram.
O dólar disparou de R$ 2,40 no início do ano para mais de R$ 2,80 ao final. Alta de quase 17%.
O padrão que se repete:
Nos meses que antecedem a eleição (agosto, setembro, outubro), a volatilidade é máxima. Ativos sobem e descem de forma exagerada reagindo a cada notícia, cada pesquisa, cada declaração.
Após a eleição, independente de quem ganhe, há normalmente um período de alívio. A incerteza acabou, o mercado se ajusta ao novo cenário, e as coisas tendem a se estabilizar.
Investidores que mantiveram a calma e não entraram em pânico historicamente se saíram melhor que aqueles que ficaram entrando e saindo do mercado tentando adivinhar movimentos.

Nem todo investimento reage igual. Vamos entender setor por setor.
Empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras (quando era estatal) são extremamente sensíveis a eleições.
Por quê? Porque o governo controla essas empresas. Dependendo de quem assume, a gestão pode mudar radicalmente. Um governo pode querer usar estatal para fins políticos (congelando preços para agradar população), outro pode querer deixar operar com lógica de mercado.
Petrobras em ano de eleição é montanha-russa garantida. Pode variar 30%, 40% conforme expectativas sobre o futuro governo.
O que fazer?
Se você tem ações de estatais, prepare-se para volatilidade. Considere reduzir exposição se não aguenta emoção. Ou mantenha pensando em longo prazo, sabendo que vai ter solavancos no curto.
Bancos também sofrem bastante. Políticas de crédito, regulação, taxas de juros… tudo pode mudar com novo governo.
Mas bancos são menos voláteis que estatais. São empresas com fundamentos sólidos que sobrevivem a qualquer governo.
Historicamente, bancos grandes (Itaú, Bradesco, Santander) se recuperam bem após eleições.
Esse setor reage muito a quem pode ganhar. Candidato visto como favorável ao agro? Ações do setor sobem. Candidato com foco em questões ambientais que pode aumentar regulação? Ações caem.
Vale, Suzano, JBS, BRF… todas dançam conforme a música eleitoral.
Lojas, supermercados, empresas de consumo reagem a expectativas sobre poder de compra da população.
Candidato que promete aumentar programas sociais? Ações de varejo sobem (expectativa de mais dinheiro no bolso do povo). Candidato que fala em ajuste fiscal? Podem cair.
São as mais estáveis em ano de eleição. Prestam serviços essenciais, têm contratos de longo prazo, sofrem menos com mudanças políticas de curto prazo.
Se você quer tranquilidade em ano eleitoral, utilities são refúgio.
Beneficiam-se de dólar alto. Se a incerteza eleitoral faz o dólar disparar, essas empresas ganham.
Embraer, WEG, empresas de celulose… tendem a ter desempenho descorrelacionado do humor político interno.
Chega de teoria. Vamos ao que fazer na prática durante ano de eleição.
Não coloque tudo em ativos brasileiros. Em ano de eleição, isso é suicídio financeiro.
Tenha parte dos investimentos em ativos internacionais. ETFs de ações americanas, títulos do tesouro americano, fundos globais.
Quando o Brasil oscila, esses ativos mantêm estabilidade. É sua proteção.
Sugestão: em ano eleitoral, aumente exposição internacional para 30% a 40% da carteira, mesmo que normalmente você mantenha menos.
Ações vão oscilar muito. Se você não tem estômago para isso, reduza exposição.
Coloque mais dinheiro em renda fixa: Tesouro IPCA+, CDBs de bancos sólidos, LCIs, LCAs.
Você abre mão de ganhos potenciais, mas dorme tranquilo. E em ano eleitoral, dormir tranquilo vale muito.
Sugestão: se sua carteira normalmente é 60% ações e 40% renda fixa, inverta temporariamente para 40% ações e 60% renda fixa.
Não invista tudo. Guarde uma parte em liquidez (Tesouro Selic, CDB com liquidez diária).
Por quê? Porque em momentos de pânico, aparecem oportunidades incríveis. Ações de empresas excelentes caem a preços ridículos por causa de medo eleitoral.
Se você tem dinheiro disponível, pode comprar nessas quedas. É quando se fazem as melhores entradas.
Sugestão: mantenha 15% a 20% da carteira em liquidez durante período eleitoral.
Ter parte do patrimônio em dólar protege contra instabilidade do real.
Pode ser através de conta em dólar, fundos cambiais, ETFs dolarizados, ou até criptomoedas estáveis em dólar.
Se o real desvalorizar (o que costuma acontecer em momentos de incerteza), essa parte da carteira te compensa.
Sugestão: 20% a 30% em ativos dolarizados durante ano eleitoral.
Se você mantém ações, escolha empresas que sobrevivem a qualquer cenário político.
Empresas com baixo endividamento, fluxo de caixa forte, presença internacional, produtos essenciais.
Evite empresas muito dependentes de governo (fornecedores do governo, empresas muito reguladas, etc).
Essa é crucial. Muita gente tenta: “Vou comprar ações se candidato X liderar, vou vender se candidato Y subir nas pesquisas.”
Não faça isso. Pesquisas erram. Mercado reage de forma imprevisível. Você vai errar e perder dinheiro.
Construa uma carteira que funcione independente de quem ganhe. Essa é a estratégia vencedora.
Se você investe mensalmente, continue investindo. Não pare por causa da eleição.
Pode até ser vantajoso: quando está tudo em baixa por medo, você compra barato. Quando subir depois da eleição, você já está posicionado.
Dollar cost averaging (custo médio) funciona especialmente bem em períodos voláteis.
Se você tem conhecimento mais avançado, pode usar opções para proteger carteira de quedas.
Comprar puts das principais ações que você tem funciona como seguro. Se elas caírem, suas puts sobem, compensando a perda.
É estratégia mais sofisticada, só recomendo se você entende o que está fazendo.

A eleição passou. E agora? Como o mercado financeiro reage?
Independente de quem ganhou, o mercado vai reagir. Pode subir forte (alívio pela definição) ou cair (decepção com resultado).
Nos primeiros dias, ainda há muita emoção. Não tome decisões drásticas nesse momento. Deixe a poeira baixar.
Se o candidato eleito for visto como pró-mercado, pode haver uma “lua de mel”. Bolsa sobe, dólar cai, juros futuros recuam. Investidores estão otimistas.
Se for visto como problemático pelo mercado, pode haver pressão vendedora inicial. Mas mesmo assim, após algumas semanas, tende a haver acomodação.
Promessas de campanha enfrentam a realidade. O candidato descobre que não pode fazer tudo que prometeu. Começa a negociar com o Congresso, a fazer concessões.
O mercado vai reagindo a cada sinal: reforma foi aprovada? Sobe. Governo aumentou gastos além do esperado? Cai.
É quando você vê realmente que tipo de governo terá.
Após o primeiro ano, a eleição vira passado. O que importa são os fundamentos: economia está crescendo? Inflação está controlada? Desemprego está caindo? Contas públicas estão equilibradas?
Bons governos entregam crescimento econômico e mercados em alta no longo prazo. Governos ruins entregam estagnação e mercados patinando.
Mas isso só fica claro com o tempo. Por isso estratégia de longo prazo vence sempre.
Vamos a exemplos concretos de pessoas em eleições passadas.
Roberto tinha R$ 200.000 em ações no início de 2018. Em setembro, com as pesquisas mostrando cenário indefinido e a bolsa caindo, ele entrou em pânico. Vendeu tudo com a bolsa a 72.000 pontos, realizando prejuízo de 15%.
Após a eleição, a bolsa disparou, chegando a 87.000 pontos. Roberto, arrependido, comprou de volta no topo. Perdeu na venda e perdeu na compra. Seu patrimônio, que deveria ter crescido 20%, encolheu 10%.
Juliana tinha carteira diversificada: 40% ações brasileiras, 30% renda fixa, 30% ativos internacionais.
Durante todo o ano eleitoral, as ações brasileiras dela oscilaram muito, mas ela não mexeu. Manteve os aportes mensais, comprando mais barato quando havia quedas.
A parte internacional se valorizou com alta do dólar. A renda fixa entregou rentabilidade consistente.
No final do ano, mesmo com bolsa praticamente estável, seu patrimônio cresceu 8% graças à diversificação. E ela dormiu tranquila todo o período.
Carlos resolveu apostar. Viu pesquisas, “analisou” cenário, e colocou metade do patrimônio em dólar apostando em vitória de determinado candidato e consequente alta da moeda.
Deu certo. O dólar subiu 17% e Carlos lucrou bastante. Ele se achou gênio.
Em 2018, repetiu a estratégia com direção oposta. Errou feio. Perdeu 30% do patrimônio. Descobriu que sorte não é estratégia.
• Mercado financeiro odeia incerteza eleitoral reagindo com volatilidade extrema conforme pesquisas mudam e investidores especulam sobre políticas futuras
• Ano de eleição historicamente traz oscilações de 20% ou mais na bolsa durante período pré-eleitoral, com recuperação após definição do vencedor
• Diversificação geográfica protege patrimônio: tenha 30% a 40% em ativos internacionais durante período eleitoral para reduzir exposição ao risco Brasil
• Aumente renda fixa temporariamente invertendo proporção para 60% conservador e 40% arrojado se você não tem estômago para grandes oscilações
• Mantenha 15% a 20% em liquidez para aproveitar oportunidades quando ações de qualidade caírem a preços atrativos por pânico eleitoral
• Nunca venda tudo no desespero pois você cristaliza prejuízo e perde a recuperação histórica que acontece após eleições se definirem
• Estatais oscilam 30% a 40% em eleições sendo as ações mais voláteis, enquanto utilities e empresas exportadoras oferecem mais estabilidade
• Não tente adivinhar resultado eleitoral para tomar decisões de investimento pois pesquisas erram e mercado reage de forma imprevisível
• Mantenha aportes mensais regulares mesmo durante volatilidade usando custo médio para comprar mais barato nos momentos de pânico
• Proteja-se com dólar investindo 20% a 30% em ativos dolarizados como hedge contra desvalorização do real típica de períodos eleitorais